Puberdade atrasada: quando a demora no desenvolvimento merece avaliação

Puberdade atrasada: quando a demora no desenvolvimento merece avaliação

Cada criança tem o seu ritmo. Alguns amigos começam a crescer e a mudar o corpo antes, enquanto outros demoram mais. Na maioria das vezes, essa diferença é normal. No entanto, quando as mudanças demoram muito a aparecer, surge a dúvida: será que é puberdade atrasada? Conhecer as idades de referência e as possíveis causas ajuda os pais a saber quando é hora de procurar uma avaliação.

O que é puberdade atrasada

A puberdade é a fase em que o corpo começa a amadurecer. Nas meninas, o primeiro sinal costuma ser o surgimento do broto mamário. Já nos meninos, o primeiro sinal é o aumento do volume dos testículos.

Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, fala-se em atraso puberal quando a puberdade não começa até os 13 anos na menina e até os 14 anos no menino. Portanto, não basta que a criança pareça “menos desenvolvida” que os colegas. O que importa é a idade em que os primeiros sinais aparecem.

Vale lembrar que o oposto também merece atenção. Se o desenvolvimento começa cedo demais, entenda os sinais da puberdade precoce.

A causa mais comum: uma variação do normal

Na maioria dos casos, a puberdade atrasada não indica doença. A causa mais frequente é o atraso constitucional do crescimento e da puberdade. A SBP o descreve como uma variação normal do desenvolvimento.

Nessa situação, a criança costuma ser um pouco mais baixa que os colegas durante a infância e começa a puberdade mais tarde. Depois, ela entra na puberdade por conta própria e, em geral, alcança uma altura adulta compatível com a da família. Além disso, é comum que um dos pais ou outro parente próximo também tenha “demorado a crescer”.

Segundo a SBP, ele explica a maior parte dos casos de atraso nos meninos. Ainda assim, o diagnóstico só é feito depois que o médico descarta outras causas.

Outras causas de puberdade atrasada

Em alguns casos, o atraso tem outra origem. Segundo a SBP, entre as possíveis causas estão:

  • doenças crônicas, como diabetes, hipotireoidismo e desnutrição grave;
  • excesso de atividade física;
  • alterações genéticas, como as síndromes de Turner, Prader-Willi e Noonan;
  • problemas no sistema nervoso central, que afetam o comando hormonal;
  • uso de alguns medicamentos, como corticoides ou anabolizantes;
  • hipogonadismo, quando ovários ou testículos não produzem hormônios suficientes, ou quando o cérebro não envia o estímulo para eles.

Por isso, mesmo que a causa mais provável seja benigna, a avaliação médica é importante. Se a criança tem outros sintomas, como cansaço e intestino preso, vale conhecer também os sinais de hipotireoidismo na infância.

Puberdade atrasada e emoções

A demora no desenvolvimento pode pesar muito para o adolescente. Ser mais baixo ou parecer mais novo que os colegas, afinal, é motivo frequente de brincadeiras e comparações.

A SBP cita dificuldades de socialização e problemas psicológicos entre as consequências do atraso puberal. Por isso, o acolhimento em casa faz diferença. Converse com o seu filho, explique que cada corpo tem o seu tempo e mostre que a família está atenta. Se perceber tristeza, isolamento ou queda no rendimento escolar, peça ajuda.

Como é feita a avaliação

A consulta com o endocrinologista pediátrico começa com uma conversa detalhada. O médico pergunta sobre a saúde da criança, a alimentação, a atividade física e a idade em que os pais entraram na puberdade.

Em seguida, o exame físico avalia o estágio da puberdade, o peso e a altura. Os dados de crescimento ao longo dos anos ajudam muito, então leve a caderneta de saúde da criança. Saiba mais sobre as curvas de crescimento infantil.

Além disso, o médico pode pedir alguns exames:

  1. Idade óssea: um raio-X da mão e do punho mostra se o esqueleto está “mais jovem” que a idade da criança, o que é comum no atraso constitucional.
  2. Exames hormonais: dosagens de hormônios como LH, FSH e testosterona ou estradiol ajudam a entender onde está a alteração.
  3. Outros exames de sangue: servem para investigar doenças crônicas, quando há suspeita.

Às vezes, os exames não diferenciam com clareza um atraso passageiro de uma causa permanente. Nesses casos, o acompanhamento ao longo do tempo é parte do diagnóstico.

Tratamento da puberdade atrasada

O tratamento depende da causa. No atraso constitucional, muitas vezes basta acompanhar, já que a puberdade acaba começando sozinha. Em alguns casos, especialmente quando há grande sofrimento emocional, o especialista pode indicar um tratamento hormonal por tempo limitado para estimular o início das mudanças.

Quando existe outra causa, por outro lado, o foco é tratá-la. Cada situação, portanto, exige uma avaliação individual.

Conclusão

A puberdade atrasada é, na maioria das vezes, uma variação do normal e costuma ter história parecida na família. Mesmo assim, se a menina não apresentar desenvolvimento das mamas até os 13 anos, ou se o menino não tiver aumento dos testículos até os 14 anos, procure o endocrinologista pediátrico. Assim, é possível descartar outras causas, acolher o adolescente e definir o melhor acompanhamento.

Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui a consulta, o diagnóstico, os exames ou o acompanhamento individualizado com um profissional de saúde.

Dra. Paula Martins Balduino Carrijo — Endocrinologista Pediátrica | CRM-DF 19671 | RQE 16680

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