Hipotireoidismo na infância: do teste do pezinho aos sinais em crianças maiores

Hipotireoidismo na infância: do teste do pezinho aos sinais em crianças maiores

A tireoide é uma pequena glândula no pescoço, mas tem um papel enorme no desenvolvimento da criança. Os hormônios que ela produz influenciam o crescimento, o desenvolvimento do cérebro, a energia e o funcionamento de quase todo o corpo. Quando a glândula produz menos hormônio do que deveria, ocorre o hipotireoidismo. O hipotireoidismo na infância pode estar presente desde o nascimento ou surgir mais tarde, e, nos dois casos, o diagnóstico precoce faz toda a diferença.

Hipotireoidismo congênito: o que o bebê traz ao nascer

No hipotireoidismo congênito, o bebê nasce com pouca ou nenhuma produção de hormônios da tireoide. Na maioria das vezes, isso acontece porque a glândula não se formou bem ou não funciona adequadamente.

Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, a condição atinge de 1 a cada 1.500 a 1 a cada 4.000 nascidos vivos. Além disso, é duas vezes mais frequente em meninas. A SBP destaca ainda que o hipotireoidismo congênito é a causa mais comum de deficiência intelectual que podemos prevenir.

O desafio é que, nas primeiras semanas, o bebê costuma parecer saudável. Por isso, só um exame consegue identificar o problema a tempo.

O papel do teste do pezinho

O teste do pezinho faz parte do Programa Nacional da Triagem Neonatal, do Ministério da Saúde. A equipe de saúde colhe algumas gotas de sangue do calcanhar do bebê nos primeiros dias de vida, a partir de 48 horas do nascimento. Por isso, siga a orientação da maternidade ou da unidade de saúde sobre a data da coleta.

Quando o resultado sugere hipotireoidismo, o serviço chama a família para confirmar o diagnóstico. Em seguida, o tratamento começa o quanto antes. Segundo a SBP, o ideal é iniciar no máximo até os 14 dias de vida, porque, assim, o desenvolvimento do cérebro fica protegido.

O tratamento consiste na reposição do hormônio da tireoide, com acompanhamento regular do endocrinologista pediátrico. Com isso, a criança cresce e se desenvolve normalmente.

Hipotireoidismo na infância em crianças maiores

O hipotireoidismo também pode aparecer depois, em uma criança que nasceu com a tireoide funcionando bem. Nesse caso, os médicos o chamam de adquirido.

Segundo uma revisão sobre hipotireoidismo adquirido na infância, a principal causa é a tireoidite de Hashimoto. Nessa doença autoimune, o próprio sistema de defesa do corpo ataca a tireoide e reduz a produção de hormônios. Ela é mais comum a partir da idade escolar e na adolescência e, muitas vezes, existe história de doença da tireoide ou de outras doenças autoimunes na família.

Sinais de hipotireoidismo na infância que merecem atenção

Os sintomas do hipotireoidismo na infância costumam surgir aos poucos e, por isso, podem passar despercebidos. Muitas crianças, inclusive, não têm sintomas no momento do diagnóstico. Ainda assim, alguns sinais merecem atenção:

  • crescimento mais lento, com a criança ficando para trás em relação aos colegas;
  • cansaço e sonolência fora do habitual;
  • ganho de peso sem mudança clara na alimentação;
  • intestino preso;
  • sensibilidade ao frio;
  • pele seca;
  • aumento do volume do pescoço, chamado de bócio.

Entre esses sinais, a desaceleração do crescimento é um dos mais importantes. De fato, uma revisão sistemática sobre crescimento e hipotireoidismo adquirido mostra que a parada do crescimento é um dos achados mais comuns. Os autores também destacam que o diagnóstico tardio pode prejudicar a altura final.

Por isso, acompanhar a altura nas curvas de crescimento infantil é tão importante. Se o seu filho parece pequeno para a idade, entenda também quando a baixa estatura merece investigação.

Como diagnosticar o hipotireoidismo na infância

O diagnóstico é feito com exames de sangue simples, que medem o TSH e o T4 livre. O TSH é o hormônio que “comanda” a tireoide, e o T4 é o principal hormônio produzido por ela. Em alguns casos, o médico também pede a dosagem de anticorpos para confirmar a tireoidite de Hashimoto.

Além dos exames, a consulta avalia o crescimento, o peso, o estágio da puberdade e o pescoço. Dessa forma, o endocrinologista pediátrico consegue entender o quadro completo.

Tratamento e acompanhamento

Quando o hipotireoidismo é confirmado, o tratamento é a reposição do hormônio da tireoide, sempre com prescrição e ajuste feitos pelo médico. Durante o acompanhamento, o médico repete os exames periodicamente, porque a necessidade de hormônio muda conforme a criança cresce.

Com o tratamento adequado, a criança volta a crescer em um ritmo saudável, recupera a disposição e mantém o desenvolvimento esperado. Nunca altere nem suspenda o tratamento por conta própria.

Conclusão

O hipotireoidismo na infância tem tratamento, e quanto mais cedo ele começa, melhor. No bebê, o teste do pezinho é a principal ferramenta para o diagnóstico precoce. Já nas crianças maiores, vale ficar atento ao crescimento e a sinais como cansaço, ganho de peso e intestino preso. Na dúvida, procure o pediatra ou o endocrinologista pediátrico para uma avaliação.

Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui a consulta, o diagnóstico, os exames ou o acompanhamento individualizado com um profissional de saúde.

Dra. Paula Martins Balduino Carrijo — Endocrinologista Pediátrica | CRM-DF 19671 | RQE 16680

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