Vitamina D em crianças: quando é preciso dosar e quando não é

Vitamina D em crianças: quando é preciso dosar e quando não é

Nos últimos anos, a vitamina D virou assunto frequente no consultório. Muitos pais chegam com a dúvida: preciso fazer o exame do meu filho? Devo dar suplemento? A vitamina D em crianças é, de fato, essencial para a saúde dos ossos e para o crescimento. No entanto, isso não significa que toda criança precisa dosar ou tomar suplemento por conta própria. Entender quando o exame é necessário evita preocupações e riscos desnecessários.

Para que serve a vitamina D em crianças

A vitamina D ajuda o organismo a absorver o cálcio dos alimentos e a levá-lo até os ossos. Por isso, ela é fundamental durante a infância e a adolescência, quando o esqueleto cresce rapidamente.

Quando a falta é importante e prolongada, a criança pode desenvolver alterações nos ossos, como o raquitismo. Ainda assim, a maioria das crianças saudáveis, com alimentação equilibrada e vida ativa, não tem deficiência relevante.

De onde vem a vitamina D

Diferentemente de outras vitaminas, a vitamina D em crianças e adultos vem principalmente da pele. Segundo o documento científico da Sociedade Brasileira de Pediatria, a pele produz cerca de 90% dela com a exposição ao sol. Já a alimentação responde por menos de 10%.

Alguns alimentos, como peixes gordurosos e fígado, contêm vitamina D. Contudo, eles não costumam fazer parte da rotina da maioria das famílias brasileiras e, sozinhos, não suprem a necessidade.

Isso não quer dizer que a criança deva tomar sol sem proteção. Pelo contrário, a SBP e a Sociedade Brasileira de Dermatologia não recomendam a exposição solar desprotegida para esse fim, já que não existe um nível seguro em relação ao câncer de pele. Quando há necessidade de repor, o caminho é a orientação médica.

Toda criança precisa dosar a vitamina D?

Não. De acordo com a SBP, os principais consensos nacionais e internacionais recomendam fazer o exame apenas em grupos de risco, e não em todas as crianças.

O mesmo documento chama atenção para um problema atual: a facilidade de fazer o exame e a venda de suplementos aumentaram muito os pedidos de dosagem e as prescrições. Em outras palavras, muitas crianças saudáveis dosam a vitamina D sem necessidade e, às vezes, recebem suplementos sem indicação.

Vitamina D em crianças: quem faz parte dos grupos de risco

Segundo a SBP, a avaliação da vitamina D em crianças pode ser indicada em situações como:

  • pouca exposição ao sol, por exemplo em crianças que passam quase todo o tempo em ambientes fechados;
  • prematuridade;
  • doenças que atrapalham a absorção intestinal, como doença celíaca, fibrose cística e doença inflamatória intestinal;
  • doenças do fígado ou dos rins;
  • uso contínuo de alguns medicamentos, como certos anticonvulsivantes e corticoides;
  • obesidade;
  • dieta vegetariana restrita.

Além disso, a SBP destaca as fases de crescimento rápido, como o primeiro ano de vida e a adolescência. Se o seu filho se encaixa em alguma dessas situações, converse com o pediatra ou com o endocrinologista pediátrico.

E os bebês no primeiro ano de vida?

O primeiro ano é uma fase especial. Afinal, o bebê cresce muito rápido, e o leite materno, apesar de todos os seus benefícios, tem pouca vitamina D.

Por isso, a Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda a suplementação preventiva no primeiro ano de vida. A necessidade e a forma de suplementar variam conforme a idade e os fatores de risco de cada bebê. Portanto, quem define isso é o pediatra que acompanha a criança.

Os riscos de suplementar vitamina D em crianças sem orientação

Vitamina D não é um produto inofensivo. Em excesso, ela pode causar intoxicação, com aumento do cálcio no sangue e na urina. Os sinais incluem:

  • falta de apetite, náuseas e vômitos;
  • dor abdominal e intestino preso;
  • muita sede e excesso de urina;
  • fraqueza e confusão mental;
  • cálculos nos rins.

A SBP alerta também que fórmulas manipuladas aumentam o risco de intoxicação por erro de dose. Quando a suplementação segue a indicação médica, por outro lado, ela é segura. Então, não ofereça vitamina D ao seu filho por conta própria nem aumente a quantidade indicada.

Vitamina D, crescimento e peso

Muitas famílias associam a vitamina D ao crescimento. De fato, ela é importante para ossos saudáveis. No entanto, a altura depende de muitos outros fatores, como genética, alimentação, sono e saúde hormonal. Se a sua preocupação é o crescimento, veja como interpretar as curvas de crescimento infantil e quando a baixa estatura merece investigação.

Da mesma forma, crianças com obesidade têm mais chance de apresentar níveis baixos de vitamina D. Nesses casos, o cuidado com o peso faz parte do acompanhamento. Saiba mais sobre os sinais precoces de obesidade em crianças.

Conclusão

A vitamina D em crianças é importante. Ainda assim, o médico indica o exame e a suplementação de acordo com o risco de cada uma. Crianças saudáveis, em geral, não precisam dosar de rotina. Já bebês no primeiro ano e crianças em grupos de risco merecem atenção especial. Na dúvida, converse com o pediatra ou com o endocrinologista pediátrico antes de pedir exames ou oferecer suplementos.

Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui a consulta, o diagnóstico, os exames ou o acompanhamento individualizado com um profissional de saúde.

Dra. Paula Martins Balduino Carrijo — Endocrinologista Pediátrica | CRM-DF 19671 | RQE 16680

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