Diabetes tipo 1 em crianças: sinais de alerta para os pais

Diabetes tipo 1 em crianças: sinais de alerta para os pais

A criança começa a pedir água o tempo todo, vai ao banheiro várias vezes e, mesmo comendo bem, perde peso. Muitas famílias atribuem esses sinais ao calor, a uma fase de crescimento ou ao nervosismo. No entanto, eles podem indicar diabetes tipo 1 em crianças. Reconhecer esses sinais cedo faz toda a diferença, porque o diagnóstico precoce evita complicações graves.

O que é o diabetes tipo 1

No diabetes tipo 1, o sistema de defesa do corpo ataca as células do pâncreas que produzem insulina. A insulina é o hormônio que permite que o açúcar do sangue entre nas células e vire energia. Sem ela, a glicose se acumula no sangue, enquanto o corpo fica sem combustível.

O diabetes tipo 1 é o tipo mais comum na infância e pode aparecer em qualquer idade, inclusive em bebês. A alimentação da criança não causa a doença, e ela também não resulta de algo que os pais fizeram ou deixaram de fazer.

Sinais de alerta do diabetes tipo 1 em crianças

Os sintomas do diabetes tipo 1 em crianças costumam surgir em poucas semanas. Um estudo brasileiro publicado na Revista Paulista de Pediatria avaliou 274 crianças e adolescentes com diabetes tipo 1. Antes do diagnóstico, a grande maioria apresentava sede excessiva (92,7%) e excesso de urina (90,2%). Além disso, 73,2% tinham perda de peso ou dificuldade para ganhar peso.

Fique atento aos seguintes sinais:

  • sede excessiva, com a criança pedindo água o tempo todo;
  • muito xixi, inclusive acordando à noite para ir ao banheiro;
  • voltar a fazer xixi na cama depois de já ter largado a fralda;
  • perda de peso, mesmo comendo bem ou até mais que o normal;
  • fome exagerada;
  • cansaço, fraqueza e irritabilidade;
  • assaduras que não melhoram, no caso dos bebês.

Em muitos casos, os pais percebem apenas um ou dois desses sinais. Ainda assim, vale procurar atendimento.

Os sinais de que o quadro está se agravando

Quando o diagnóstico demora, o corpo passa a queimar gordura como fonte de energia. Esse processo produz substâncias ácidas, as cetonas, e pode levar à cetoacidose diabética, uma complicação grave que exige atendimento de urgência.

Procure um pronto-socorro imediatamente se a criança apresentar:

  1. náuseas ou vômitos;
  2. dor abdominal;
  3. respiração rápida ou profunda;
  4. hálito com cheiro adocicado, parecido com fruta;
  5. sonolência excessiva, confusão ou desmaio.

Por que o diagnóstico precoce do diabetes tipo 1 em crianças é tão importante

No Brasil, muitas crianças só recebem o diagnóstico quando já estão em cetoacidose. No estudo citado acima, realizado em Curitiba, isso aconteceu em 58,8% dos casos. Os pesquisadores também observaram que a cetoacidose foi mais frequente nas crianças menores e naquelas que passaram por mais consultas antes do diagnóstico.

Esse dado mostra que os sinais muitas vezes passam despercebidos, tanto em casa quanto nos atendimentos. Por outro lado, quando a família e os profissionais conhecem os sintomas, o diagnóstico acontece mais cedo. Segundo os autores, a cetoacidose no diagnóstico está associada a um controle mais difícil do diabetes ao longo do tempo.

Como é feito o diagnóstico do diabetes tipo 1 em crianças

O diagnóstico é simples e rápido. Um exame de glicemia, feito com uma gota de sangue do dedo ou com uma coleta de sangue, já mostra se o açúcar está alto.

Segundo a diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes, quando há sintomas típicos, uma glicemia ao acaso de 200 mg/dL ou mais já confirma o diagnóstico. Dessa forma, não é preciso repetir o exame, e o tratamento pode começar sem atraso.

Portanto, se o seu filho apresenta os sinais de alerta, peça ao médico para medir a glicemia. Esse cuidado simples pode evitar uma internação.

Como é o tratamento

O tratamento do diabetes tipo 1 é feito com insulina, sempre com orientação e ajuste do médico. Além disso, envolve o monitoramento da glicose, alimentação equilibrada e atividade física.

No começo, a rotina pode parecer assustadora. Com o tempo, porém, a família aprende a lidar com o diabetes, e a criança pode estudar, brincar, praticar esportes e ter uma vida plena. O acompanhamento regular com o endocrinologista pediátrico e a equipe multidisciplinar é fundamental nesse processo.

Outro ponto de atenção é o crescimento. Crianças com diabetes mal controlado podem crescer menos que o esperado. Por isso, acompanhar as curvas de crescimento infantil faz parte do cuidado. Saiba também quando a baixa estatura na infância merece investigação.

Conclusão

O diabetes tipo 1 em crianças costuma dar sinais claros: sede excessiva, muito xixi, perda de peso e cansaço. Quanto antes a família reconhecer esses sintomas, menor o risco de cetoacidose. Por isso, diante de qualquer um desses sinais, procure o pediatra ou o endocrinologista pediátrico e peça a medida da glicemia. Em caso de vômitos, respiração acelerada ou sonolência, procure um pronto-socorro.

Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui a consulta, o diagnóstico, os exames ou o acompanhamento individualizado com um profissional de saúde.

Dra. Paula Martins Balduino Carrijo — Endocrinologista Pediátrica | CRM-DF 19671 | RQE 16680

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