Durante a puberdade, muitos meninos percebem um pequeno caroço ou um aumento das mamas, às vezes de um lado só. Para o adolescente, isso costuma trazer vergonha e preocupação. Para os pais, surge a dúvida: é normal? Na maioria das vezes, a ginecomastia na adolescência faz parte das mudanças hormonais da puberdade. Ainda assim, existem situações que merecem avaliação, e conhecer cada uma delas ajuda a família a agir com tranquilidade.
O que é ginecomastia na adolescência
Ginecomastia é o aumento do tecido glandular da mama no sexo masculino. Na adolescência, ela costuma aparecer como um nódulo macio, às vezes sensível ao toque, logo abaixo da aréola. Pode surgir em uma mama ou nas duas.
Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, o quadro costuma começar entre os 10 e os 12 anos, com pico entre os 12 e os 14 anos. Além disso, trata-se de uma condição muito frequente. Alguns estudos mostram que ela pode atingir mais da metade dos meninos em algum momento da puberdade.
Por que a ginecomastia na adolescência acontece
Na puberdade, o corpo do menino produz mais hormônios masculinos, mas também uma pequena quantidade de estrogênio, o hormônio que estimula a mama. Durante algum tempo, esse equilíbrio pode ficar a favor do estrogênio. Como resultado, o tecido mamário cresce um pouco.
Na grande maioria dos casos, portanto, não existe doença por trás. Uma revisão sobre o tema aponta que a ginecomastia regride sozinha em 75% a 90% dos adolescentes, ao longo de um a três anos. Em geral, à medida que a puberdade avança, os hormônios se equilibram e a mama volta ao normal.
Ginecomastia ou gordura no peito?
Nem todo aumento das mamas é ginecomastia. Em meninos com excesso de peso, o volume pode vir apenas do acúmulo de gordura na região. Esse quadro se chama lipomastia, ou pseudoginecomastia.
A diferença aparece no exame físico. Na ginecomastia, o médico sente um tecido mais firme logo abaixo da aréola. Na lipomastia, por outro lado, o volume é macio e não há crescimento da glândula. Essa distinção importa, porque a orientação muda em cada caso. Se o excesso de peso é uma preocupação, vale ler sobre os sinais precoces de obesidade em crianças.
Sinais de alerta: quando procurar o endocrinologista pediátrico
Embora a maioria dos casos seja benigna, alguns sinais pedem uma avaliação especializada:
- aumento das mamas antes do início da puberdade;
- nódulo endurecido, irregular ou muito assimétrico;
- saída de secreção pelo mamilo;
- ínguas na axila;
- alterações nos testículos, como diferença de tamanho ou um caroço;
- persistência do quadro por mais de dois anos, ou no fim da puberdade.
Além disso, vale conversar com o médico se o adolescente usa algum medicamento, suplemento para ganho de massa muscular ou anabolizante. Essas substâncias podem provocar ginecomastia. Nesses casos, a suspensão costuma fazer a mama regredir, mas sempre com orientação médica.
Como é feita a avaliação
A consulta começa com uma boa conversa. O médico pergunta quando a mama começou a crescer, se há dor, quais medicamentos o adolescente usa e como está o restante do desenvolvimento.
Em seguida, o exame físico avalia as mamas, os testículos e o estágio da puberdade. Também é importante analisar a altura e o peso nas curvas de crescimento. Quando a história e o exame indicam um quadro típico da puberdade, muitas vezes basta acompanhar. Por outro lado, se houver algum sinal de alerta, o médico pode pedir exames de sangue ou de imagem.
Tratamento da ginecomastia na adolescência
Na maior parte das vezes, o tratamento é a observação. Consultas periódicas permitem acompanhar a evolução e tranquilizar a família.
Quando existe uma causa identificada, como um medicamento, o foco é tratar essa causa. Já nos casos que persistem por muito tempo ou trazem grande sofrimento, o especialista avalia outras opções, inclusive a cirurgia, sempre de forma individualizada. Ou seja, não existe uma solução única, e a decisão é tomada junto com o adolescente e a família.
O lado emocional também importa
A ginecomastia na adolescência pode afetar a autoestima. Muitos meninos evitam tirar a camisa, deixam de ir à piscina ou de praticar esportes e passam a usar roupas largas. Em alguns casos, o desconforto é intenso.
Por isso, o acolhimento é parte do cuidado. Converse com o seu filho sem fazer piada nem minimizar a queixa. Explique que essa mudança é comum na puberdade e que, na maioria das vezes, é passageira. Se perceber tristeza persistente, isolamento ou ansiedade, procure ajuda profissional.
Outras dúvidas sobre o desenvolvimento também são frequentes nessa fase. Veja quando a puberdade atrasada merece avaliação.
Conclusão
A ginecomastia na adolescência é frequente, quase sempre benigna e, na maioria dos casos, desaparece com o avanço da puberdade. Mesmo assim, uma avaliação com o endocrinologista pediátrico ajuda a confirmar que tudo está dentro do esperado e a identificar os sinais que pedem investigação. Assim, o adolescente recebe orientação, acolhimento e o acompanhamento de que precisa.
Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui a consulta, o diagnóstico, os exames ou o acompanhamento individualizado com um profissional de saúde.
Dra. Paula Martins Balduino Carrijo — Endocrinologista Pediátrica | CRM-DF 19671 | RQE 16680